quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Lançamento EFEITOS


Pão de segunda mão

Comerciante alemã prospera vendendo produtos da véspera  

Esquina para a revista Piauí, publicada na edição Outubro/2012.





Quem entra desavisado em uma das lojas da Second Bäck e vê na vitrine a variedade atraente de pães e bolos, não imagina o que está por trás do negócio. Pois, de fato, atrás do balcão dessa padaria não há farinha, forno, nem padeiros. Além disso, a dona não é portuguesa, e sim uma ex-baterista e ex-pedagoga alemã. Para completar, a padaria não fica na esquina. O segredo do negócio? Só vende pão amanhecido.

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Para ler o texto na íntegra clique aqui.


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Matéria de Menino

Conto criado para o aniversário de 1 ano da Revista Emília, com ilustrações de Laura Gorski.







No tempo de um dia, eu fui feito importante. Mais do que os presentes, aquela palavra me agraciou, me deu uma altura que eu ainda não tinha. Um certo recheio de gente grande; ingrediente da infância, dos que alimentam verdades. Depois de ter ouvido de minha mãe logo cedo, pude eu mesmo me substantivar quando chegaram os convidados: eu sou o aniversariante.

Para ler o conto completo e ver às ilustrações clique aqui.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Guardiãs do Hermitage

Artigo publicado no site Arquiteturismo, edição de Outubro/2012






Dono de uma respeitosa coleção com 2.970.214 obras de arte e artefatos da pré-história ao início do século XX, o Hermitage, em São Petersburgo, na Rússia, é um dos maiores museus do mundo.

O numeroso acervo é exposto anualmente para cerca de 3 milhões de visitantes que circulam pelas quase mil salas, corredores e saguões deste gigante complexo formado por dez edifícios. Uma visita completa ao Hermitage pode levar dias, numa espécie de viagem histórica pela arte antiga, europeia e oriental, cultura russa e numismática.

Nessa viagem, o visitante atento irá notar que a portentosa coleção – que inclui peças como a Madonna Litta, de Leonardo da Vinci, e La Danse, de Matisse – não está desresguardada. Mas não se trata de localizar sensores, câmeras e outros aparatos de segurança. Quem toma conta, diariamente, do valioso patrimônio do Hermitage são típicas senhoras russas.
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Para ler o artigo na íntegra e ver as fotos clique aqui.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Short Passages of a Residency






This video is a record of the site-specific work done for the Homebase (www.homebaseproject.org) artist-in-residence program, in Berlin, in March of 2012. "Short Passages of a Residency" is a fiction piece that takes place at the Homebase building (Pankow, Berlin) where 15 artists from different countries lived in community for three months. The story, written on the walls of the corridor, is narrated by Pnina, the cat that lives at Homebase, and which tells situations that involves her relationship to the place and the people during the period they have been together.

Chuvisco - instalação - Berlim, 2012





Fotos da instalação "Chuvisco", criada em colaboração com o pintor e escultor americano Brian Halloran para a residência artística HOMEBASE, em Berlim. O trabalho é inspirado - e contém ele mesmo - o conto homônimo, publicado abaixo neste blog.









segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Paisagens Construídas - SESC Pinheiros









Video registro da execução do trabalho: http://vimeo.com/28832451.


Paisagens Construídas
Laura Gorski e Felipe Arruda

Inserido no projeto Desvios, de iniciativa do SESC Pinheiros, o projeto Paisagens Construídas, concebido por Laura Gorski, segue a proposta de intervenção artística nas paredes externas do edifício.

À esquerda de quem entra no prédio, o desenho de Laura Gorski propõe o deslocamento de paisagens de campos de cultivo para um contexto urbano; o ato de desenhar na parede é uma maneira de devolver essas imagens ao mundo sob uma nova relação contextual, trabalhando com variações de escala e inversões de ponto de vista.

A convite da artista, Felipe Arruda criou o texto que se vê à direita da entrada do prédio. Seu trabalho se utiliza de recursos poéticos para comentar o desenho criado por Laura Gorski e sugerir desdobramentos possíveis da obra, envolvendo o espectador e o ambiente ao seu redor.

O diálogo entre imagem e texto convida os passantes locais a observarem o espaço onde se encontram e formularem novas relações com ele e seus elementos.

Em exposição de 12/07 a 25/09/2011.
SESC Pinheiros: Rua Paes Leme, 195



sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A música encontra a literatura - espetáculo CCJ



A convite do pianista Benjamim Taubkin, participei, junto com o escritor Lauro Henriques Jr., do espetáculo A música encontra a literatura, realizado em 14/11/2011 no Centro de Cultura Judaica, em São Paulo.

Contamos ainda com as presenças de Denis Duarte, nos efeitos sonoros e especialíssimos, e de Helio Ishii, no vídeo e projeções.

Li dois contos: Chuvisco e Carregadores de Piano, ambos publicados neste blog. Lauro leu textos de seu livro Fragmentos do Sol Chuvoso. Tivemos a grande honra de ter o som do piano do mestre Benjamim acompanhando nossas leituras.



segunda-feira, 6 de junho de 2011

EDITEMO-NOS






Notícia ruim, anúncio de pinga, óleo de fígado de tubarão, um pênis maior. Dizer que fiquei enfadado é pouco quando, nesta manhã, abri a janela.

Do computador, naturalmente. Pois mesmo o muro à frente de casa – descascando com o humor desidratado do meu vizinho – é uma edição mais confortante da realidade do que a espontânea e incontrolável oferta virtual. Algo para qual raramente geramos a demanda, mas que nos demanda, ocupando tempo e espaço em nossa janela mental. É assunto sabido.

Se a memória é uma ilha de edição, como sugeria o poeta Wally Salomão se referindo a vida já vivida, também a vida corrente, presente, e ainda aquela que desejamos e projetamos, todas elas são laboriosas e constantes edições. Viver é editar, assim como editar é morrer.

As janelas, físicas ou virtuais, são ícones clássicos da edição do mundo. Da mais uterina realidade somos expulsos por uma janela apertada, sufocante, e damos numa espécie de set de filmagem, de luzes e equipamentos, nosso pai escolhendo os melhores ângulos para o vídeo, e nós com as janelinhas oclusas, absorvendo flashes esparsos de milhares de novos assuntos não escolhidos, logo na primeira cena do roteiro.

Nas nossas viagens, de bumba até Osasco ou de jato ao Japão, deslocamento, percurso e paisagem são algo que conhecemos através de molduras; recortes que oferecem fragmentos ingênuos de uma dimensão astronomicamente mais ampla a mim, a você, ao astronauta em órbita da Terra.

São também sempre fruto de edição os conteúdos que orbitam à nossa volta. Somos educados pela eleição de valores dos nossos pais, pela abordagem relativa dos livros escolares, e formados pelas morais e maneiras adotadas pela nossa cultura, pelas informações às quais temos acesso, pelas notícias, anúncios, pelos óleos de fígado de tubarão, pelas promessas de um pênis maior. Assim como editados são nossos amigos e parentes, legitimados quando os aceitamos, ou não, nos convites das redes sociais. Quando casamos, fazemos quiçá nossa maior edição: a escolha de um entre os mais de seis bilhões de seres terrestres – o que, para alguns, se reprisa em (in?)consequentes edições.

Nesta emaranhada trajetória de permanente seleção, é difícil compreender a palavra realidade, algo formada pela sobreposição de infinitas possibilidades, sempre determinada individualmente. O que podemos, afinal, é aprender a exercitar bem o direito livre e democrático da escolha aliado à tentativa de estar sempre expandindo e desconstruindo os limites de nossas molduras. Com sorte, antes que cheguemos à edição final.

O que fiz, nesta manhã, enfadado e prestes a ser fuzilado por um pelotão de pop-ups, foi valer-me do meu direito democrático de aniquilá-los pontiagudamente com meu indicador-editor repousado sobre o mouse. E, aproveitando, ao mirar o muro descascado do vizinho, as lascas de tinta recortando a parede, abri um pouquinho mais a janela.

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